Todo ano, dezenas de jogos chegam às lojas prometendo mundos maiores, histórias melhores e experiências capazes de prender o jogador por horas.
No fim do ano, porém, apenas um recebe o principal prêmio do The Game Awards: o Game of the Year, conhecido simplesmente como GOTY.
Desde a primeira edição do evento, em 2014, os vencedores foram bastante diferentes entre si. Alguns apostaram em grandes mundos abertos. Outros preferiram histórias mais lineares. Houve RPGs, jogos de ação, experiências cooperativas, multiplayer competitivo e até um jogo de plataforma protagonizado por um pequeno robô.
Isso levanta uma pergunta interessante:
o que esses jogos fizeram para chegar ao topo?
Em vez de apenas listar os vencedores, vamos voltar ano por ano para entender o que cada um tinha de especial quando recebeu o prêmio.
A lista vai de 2014 a 2025, o vencedor mais recente do The Game Awards até o momento.

2014 — Dragon Age: Inquisition
Desenvolvedora: BioWare
A primeira edição do The Game Awards terminou com Dragon Age: Inquisition levando o principal prêmio da noite.
O jogo colocou o jogador no comando de uma organização que precisava enfrentar uma ameaça enorme enquanto tentava sobreviver às disputas políticas de seu próprio mundo.
Mas seu tamanho não era apenas uma questão de mapa.
Havia personagens para conhecer, decisões para tomar, regiões para explorar e diferentes situações que faziam o jogador sentir que estava comandando algo maior do que o próprio protagonista.
Sinopse
Em um mundo de fantasia marcado por guerras e conflitos, uma enorme ruptura entre diferentes dimensões provoca uma ameaça que pode atingir todo o continente.
O jogador assume o papel do líder da Inquisição, uma organização criada para enfrentar o caos. Durante a jornada, é necessário explorar diferentes regiões, reunir aliados, enfrentar inimigos e tomar decisões que podem alterar o destino de personagens e comunidades.
O que marcou aquele GOTY?
Inquisition mostrou a força dos grandes RPGs ocidentais naquele período.
A aventura combinava exploração, combate, diálogos e escolhas em uma experiência que podia facilmente consumir dezenas de horas.
Mais importante: o jogador não estava apenas tentando derrotar um inimigo.
Também precisava decidir em quem confiar, como agir e que tipo de líder queria ser.
Foi esse conjunto que colocou Dragon Age: Inquisition no topo em 2014.

2015 — The Witcher 3: Wild Hunt
Desenvolvedora: CD Projekt Red
Se existe uma coisa que The Witcher 3 fez muito bem, foi transformar aquilo que deveria ser uma simples missão secundária em algo que poderia render uma das melhores histórias da aventura.
Geralt poderia estar procurando Ciri.
Mas uma conversa com um personagem qualquer poderia levar a uma vila distante, depois a um problema local e, quando o jogador percebesse, ele já estaria envolvido em uma história completamente diferente.
Sinopse
Geralt de Rívia está procurando Ciri, uma jovem ligada ao seu passado que se tornou alvo da misteriosa Caçada Selvagem.
Durante a busca, Geralt atravessa cidades, florestas, vilarejos e territórios envolvidos em guerras. No caminho, encontra monstros, personagens com seus próprios problemas e situações em que nem sempre existe uma escolha claramente certa ou errada.
O mundo era mais do que tamanho
O grande diferencial de The Witcher 3 não estava apenas em possuir um mapa enorme.
Estava na quantidade de histórias espalhadas por ele.
Missões secundárias, personagens, monstros e decisões faziam o mundo parecer menos como um cenário criado para preencher espaço e mais como um lugar onde as coisas continuavam acontecendo.
O jogo venceu o Game of the Year de 2015, além de levar o prêmio de melhor RPG.

2016 — Overwatch
Desenvolvedora: Blizzard Entertainment
Em uma lista dominada por aventuras e RPGs, Overwatch mostrou que um jogo multiplayer também poderia conquistar o principal prêmio.
A ideia parecia simples: duas equipes se enfrentam, cada jogador escolhe um herói e utiliza suas habilidades para cumprir os objetivos da partida.
O segredo estava justamente nos personagens.
Sinopse
Em um futuro marcado por conflitos entre humanos e máquinas, um grupo de heróis conhecidos como Overwatch tenta voltar à ativa depois de anos afastado.
O jogo coloca duas equipes frente a frente em partidas baseadas em objetivos. Cada personagem possui habilidades, armas e funções diferentes, fazendo com que o trabalho em equipe seja fundamental para alcançar a vitória.
Cada herói mudava a maneira de jogar
Um personagem podia proteger os companheiros.
Outro era especialista em causar dano.
Outro conseguia curar.
E alguns tinham habilidades capazes de alterar completamente o rumo de uma partida.
Isso fazia com que escolher um personagem não fosse apenas uma questão estética.
Era uma decisão estratégica.
Overwatch venceu o GOTY de 2016 e também recebeu o prêmio de melhor direção.

2017 — The Legend of Zelda: Breath of the Wild
Desenvolvedora: Nintendo EPD
Imagine enxergar uma montanha no horizonte e simplesmente decidir:
“Eu quero chegar lá.”
Essa frase resume boa parte da experiência de Breath of the Wild.
O jogo não precisava colocar uma missão obrigatória em cada canto do mapa para convencer o jogador a explorar.
Uma torre distante, uma construção estranha ou uma montanha poderiam ser suficientes para despertar curiosidade.
Sinopse
Link desperta depois de passar muitos anos adormecido e encontra Hyrule completamente transformada.
Sem lembrar de tudo o que aconteceu, ele precisa explorar o reino, recuperar suas memórias e descobrir uma maneira de enfrentar Calamity Ganon, uma ameaça que deixou marcas profundas naquele mundo.
O jogador descobria o próprio caminho
A física também fazia parte da diversão.
Fogo, vento, eletricidade, objetos e habilidades de Link podiam ser combinados de maneiras diferentes para resolver problemas.
Nem sempre existia uma única solução.
E isso criava momentos que pareciam ter sido inventados pelo próprio jogador.
Breath of the Wild venceu o Game of the Year de 2017 e também levou o prêmio de melhor direção.

2018 — God of War
Desenvolvedora: Santa Monica Studio
Kratos já era conhecido por praticamente todo jogador que acompanhava PlayStation.
Então a Sony Santa Monica decidiu fazer algo arriscado:
mudar o personagem.
Em vez de apresentar apenas mais uma jornada de vingança, God of War colocou Kratos diante de uma responsabilidade completamente diferente: ser pai.
Atreus passa a acompanhar a aventura, e a relação entre os dois se torna uma das partes centrais da experiência.
Sinopse
Depois de deixar para trás grande parte de seu passado, Kratos vive em uma região dominada pela mitologia nórdica ao lado de seu filho, Atreus.
Após a morte da mãe do garoto, pai e filho iniciam uma jornada para cumprir seu último desejo. Porém, a viagem acaba colocando os dois no caminho de forças e personagens ligados aos deuses nórdicos.
Kratos precisava aprender outra coisa além de lutar
O personagem continua extremamente poderoso.
Mas agora existe alguém observando suas atitudes.
A narrativa aproveita essa relação para mostrar um lado mais contido de Kratos, sem simplesmente apagar tudo o que veio antes.
A mudança também apareceu no gameplay, com combate reformulado, câmera mais próxima e uma nova ambientação baseada na mitologia nórdica.
Em 2018, God of War venceu o GOTY e também recebeu o prêmio de melhor direção.

2019 — Sekiro: Shadows Die Twice
Desenvolvedora: FromSoftware
Sekiro não costuma perguntar ao jogador se ele está preparado.
Ele simplesmente coloca o inimigo na sua frente.
E depois derrota você.
De novo.
E de novo.
Até que o jogador começa a entender que a solução não está necessariamente em encontrar uma arma melhor ou subir vários níveis.
Está em aprender a lutar.
Sinopse
Em uma versão fantástica do Japão do período Sengoku, um guerreiro conhecido como Lobo precisa proteger seu jovem mestre.
Depois de ser derrotado e sofrer uma perda importante, ele recebe uma segunda chance e parte em busca de vingança. Para avançar, terá de enfrentar guerreiros, criaturas sobrenaturais e inimigos capazes de derrotá-lo rapidamente.
Quando o jogador também precisa evoluir
O combate depende muito de ritmo, defesa, posicionamento e precisão.
Depois de enfrentar o mesmo adversário algumas vezes, seus movimentos começam a ficar familiares.
Aquela batalha que parecia impossível passa a fazer sentido.
E quando finalmente acontece a vitória, existe uma sensação diferente:
você não apenas melhorou o personagem. Você melhorou como jogador.
Sekiro: Shadows Die Twice recebeu o Game of the Year de 2019.

2020 — The Last of Us Part II
Desenvolvedora: Naughty Dog
Poucos jogos dessa lista causaram tantas discussões quanto The Last of Us Part II.
A sequência apostou em uma história pesada, com temas como vingança, perda e violência, enquanto apresentava personagens por perspectivas diferentes.
Nem todas as escolhas narrativas foram recebidas da mesma maneira pelo público.
E isso acabou fazendo parte da própria conversa em torno do jogo.
Sinopse
Anos depois dos acontecimentos do primeiro jogo, Ellie tenta seguir sua vida em uma comunidade relativamente segura.
Porém, um acontecimento violento muda completamente seu caminho e coloca a personagem em uma jornada marcada por vingança, perdas e conflitos pessoais.
Uma experiência que não queria deixar tudo confortável
Além da narrativa, o jogo chamou atenção pela direção, atuação, animações, áudio e detalhes do mundo.
Ambientes abandonados, movimentos dos personagens e sons durante os combates contribuíam para criar uma experiência bastante imersiva.
O The Game Awards de 2020 deu a The Last of Us Part II o prêmio de Game of the Year, além de melhor direção e melhor narrativa.

2021 — It Takes Two
Desenvolvedora: Hazelight Studios
Existem muitos jogos que permitem jogar com um amigo.
It Takes Two foi construído ao redor da ideia de que você precisa dele.
Cody e May possuem habilidades diferentes, e os desafios exigem que os dois jogadores trabalhem juntos.
Uma pessoa pode controlar uma parte da situação enquanto a outra precisa resolver outra.
Sinopse
Cody e May estão enfrentando problemas no relacionamento quando acabam transformados magicamente em pequenos bonecos.
Presos dentro de sua própria casa, os dois precisam trabalhar juntos para superar uma série de desafios. O que começa como uma situação estranha acaba se transformando em uma jornada sobre a relação entre os dois.
Cooperar deixa de ser opcional
O jogo constantemente muda suas mecânicas.
Uma fase pode apresentar uma ideia e, pouco depois, abandonar completamente aquela mecânica para apresentar outra.
Isso impede que a aventura fique presa a uma única fórmula.
E existe uma consequência interessante:
quando vocês erram, normalmente precisam conversar para descobrir o que fazer.
It Takes Two venceu o GOTY de 2021 e também levou o prêmio de melhor multiplayer.

2022 — Elden Ring
Desenvolvedora: FromSoftware
Elden Ring pegou várias características que os jogadores já conheciam dos trabalhos da FromSoftware e colocou tudo dentro de um mundo muito mais aberto.
Você pode seguir um caminho.
Ou ignorá-lo completamente.
Pode encontrar uma área por acaso e passar horas explorando aquele lugar sem saber exatamente o que existe adiante.
Sinopse
As Terras Intermédias estão mergulhadas em conflitos depois da destruição do Anel Prístino.
O jogador assume o papel de um Maculado que retorna a esse mundo e precisa enfrentar diferentes inimigos e semideuses enquanto explora um território enorme em busca de respostas e de seu próprio destino.
O mapa não precisava explicar tudo
Boa parte da graça está justamente em descobrir.
Uma construção distante pode esconder uma batalha.
Uma caverna pode levar a uma área inesperada.
Um inimigo pode parecer impossível naquele momento e fazer você decidir voltar depois.
Essa liberdade transformou a exploração em uma das principais características do jogo.
Elden Ring venceu o Game of the Year de 2022, além de melhor direção e melhor RPG.

2023 — Baldur’s Gate 3
Desenvolvedora: Larian Studios
Talvez a melhor maneira de entender Baldur’s Gate 3 seja imaginar que o jogo realmente está disposto a aceitar suas ideias.
Você encontra um problema.
O jogo apresenta algumas possibilidades.
Então você pensa em uma solução completamente diferente.
E, em muitos casos, ela funciona.
Sinopse
O protagonista é infectado por um misterioso parasita que ameaça transformar seu corpo em algo completamente diferente.
Enquanto procura uma maneira de se livrar da criatura, ele encontra outros personagens que enfrentam problemas semelhantes. Juntos, eles atravessam um mundo de fantasia repleto de perigos, conflitos e escolhas que podem mudar o rumo da aventura.
E se o jogo realmente reagisse às suas escolhas?
Conversas podem evitar combates.
Personagens podem reagir às suas decisões.
Companheiros possuem suas próprias opiniões.
Missões podem seguir caminhos diferentes.
E uma escolha aparentemente pequena pode voltar muito tempo depois.
Isso cria uma sensação rara em jogos:
a de que a aventura pertence ao jogador.
Baldur’s Gate 3 venceu o Game of the Year de 2023, além de melhor RPG e melhor multiplayer, entre outros prêmios.

2024 — Astro Bot
Desenvolvedora: Team Asobi
Depois de mundos gigantescos, RPGs enormes e histórias dramáticas, o vencedor de 2024 seguiu por um caminho muito mais simples.
Correr.
Pular.
Explorar.
Encontrar segredos.
E descobrir o que existe na próxima fase.
Astro Bot provou que um jogo não precisa ser gigantesco para chamar atenção.
Sinopse
Astro e sua equipe de pequenos robôs estão viajando pelo espaço quando sua nave é atacada.
Depois do acidente, vários companheiros de Astro acabam espalhados por diferentes mundos. O pequeno robô então parte em uma aventura para encontrá-los enquanto enfrenta desafios de plataforma e diversos perigos pelo caminho.
Simplicidade também pode ser criatividade
Cada fase apresenta novas ideias, habilidades e situações.
O jogo também aproveita recursos do controle do PlayStation 5 e brinca constantemente com referências à história do PlayStation.
Mas existe uma diferença importante:
você não precisa conhecer todas essas referências para se divertir.
A aventura funciona por conta própria.
Astro Bot venceu o Game of the Year de 2024, além de melhor direção e melhor jogo de ação/aventura.

2025 — Clair Obscur: Expedition 33
Desenvolvedora: Sandfall Interactive
O vencedor mais recente trouxe uma mistura curiosa.
Clair Obscur: Expedition 33 combina elementos clássicos de RPG com um sistema de combate por turnos que exige participação ativa do jogador.
Ataques, esquivas, bloqueios e outras ações ajudam a transformar as batalhas em algo mais dinâmico.
Mas o jogo também construiu uma identidade visual própria.
Sinopse
Em um mundo de fantasia inspirado pela Belle Époque francesa, uma misteriosa entidade conhecida como Paintress realiza um ritual todos os anos.
Ela pinta um número no céu e todas as pessoas que possuem aquela idade desaparecem. Quando o número chega a 33, um grupo de pessoas parte em uma expedição desesperada para tentar impedir que o ciclo continue.
Quando um RPG encontra uma identidade própria
Em vez de simplesmente tentar copiar os grandes RPGs do mercado, Expedition 33 combinou fantasia, uma estética inspirada na Belle Époque e uma narrativa própria.
Essa mistura ajudou o jogo a se destacar em uma disputa bastante concorrida.
O resultado foi expressivo.
Clair Obscur: Expedition 33 venceu o Game of the Year de 2025, além de melhor direção, melhor narrativa, melhor direção de arte, melhor trilha sonora, melhor performance, melhor jogo independente, melhor estreia indie e melhor RPG.
12 vencedores, 12 maneiras diferentes de fazer história
Quando colocamos todos esses jogos lado a lado, uma coisa fica clara:
não existe uma fórmula única para vencer o GOTY.
Dragon Age: Inquisition apostou na mistura de RPG, exploração e escolhas.
The Witcher 3 transformou missões secundárias em histórias que valiam a pena acompanhar.
Overwatch mostrou a força de um multiplayer baseado em personagens diferentes.
Breath of the Wild colocou a liberdade de exploração no centro da aventura.
God of War reinventou um personagem conhecido.
Sekiro fez o aprendizado do jogador virar parte do desafio.
The Last of Us Part II colocou a narrativa no centro das discussões.
It Takes Two transformou cooperação em necessidade.
Elden Ring fez da descoberta uma parte essencial do mundo.
Baldur’s Gate 3 levou a liberdade de escolha a outro nível.
Astro Bot mostrou como um jogo de plataforma pode ser extremamente criativo sem precisar de um mapa gigantesco.
E Clair Obscur: Expedition 33 mostrou que ainda existe espaço para novas propostas no gênero RPG.
Afinal, o que um GOTY precisa ter?
Talvez essa seja a parte mais interessante.
Olhando para esses 12 vencedores, fica difícil apontar uma característica obrigatória.
Eles não possuem o mesmo gênero.
Não possuem o mesmo estilo visual.
Não contam histórias da mesma maneira.
E nem sequer oferecem experiências parecidas.
O que existe em comum é outra coisa: cada um encontrou uma maneira própria de fazer aquilo que se propôs a fazer.
É por isso que olhar para os vencedores do GOTY não serve apenas para descobrir quais jogos receberam um troféu.
Serve também para perceber como os videogames mudaram ao longo dos anos.
De 2014 a 2025, vimos mundos abertos, multiplayer, RPGs, aventuras narrativas, cooperação e experiências de plataforma ocuparem o mesmo lugar.
E talvez a melhor pergunta não seja:
“Qual deles é o melhor?”
Mas sim:
“O que cada um fez que os outros não fizeram do mesmo jeito?”
